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Entenda o desastre em Mariana

O desastre ambiental em Mariana (MG) já está sendo considerado por especialistas como o pior desastre ocorrido no Brasil. E o motivo para isso é evidente, o rompimento da barragem do Fundão liberou cerca de 62 milhões de metros cúbicos de lama que percorreu 879km até chegar ao mar, passando por mais de 14 cidades que eram abastecidas pelo Rio Doce, atingindo cerca de meio milhão de pessoas.

Para compreender as proporções dessa catástrofe é preciso entender, primeiramente, o que aconteceu e o que está inundando o Rio Doce atualmente. Por isso, montamos algumas perguntas e respostas que ajudam a compreender o tamanho da tragédia.

O que são barragens de rejeito e o que é a Samarco?

A Samarco é uma mineradora que faz parte do grupo da Vale e da BHP Billiton Brasil LTDA. Ela promove o beneficiamento dos minérios da região, aumentando o teor de ferro dos mesmos. Porém, esse processo gera rejeitos que são estocados por barragens. Uma delas, a do Fundão, acabou se rompendo e danificando a barragem de Santarém, ambas ficam no subdistrito de Bento Rodrigues, a 35 km do centro de Mariana.

A mineradora é a 10ª maior exportadora do país e depois da tragédia suspendeu as atividades de mineração na região. O governo de Minas agiu embargando o licenciamento de funcionamento da empresa. Atualmente, o Ministério Público de Minas Gerais está investigando o ocorrido para apurar as causas e as responsabilidades.

Porque as barragens se romperam?

Como dissemos, as causas ainda estão sendo investigadas pelo Ministério Público de Minas Gerais. A Samarco afirma que houveram registros de pequenos tremores de terra algumas horas antes do rompimento, porém isso ainda está em discussão, pois não há provas que demonstrem se esse abalo ocorreu naturalmente ou foi causado pelos reservatórios.

O Ministério Público estuda se as obras realizadas na Barragem do Fundão podem ter relação com a tragédia. No momento do rompimento, havia técnicos da Samarco trabalhando no alteamento da barragem, que é uma ampliação da sua capacidade.

O que havia nas barragens?

Uma lama resultante do rejeito da produção de minério de ferro. De acordo com a Samarco, a lama não é tóxica porque contém, em sua maior parte, apenas areia. Porém, o IBAMA afirma que a lama é composta principalmente por óxido de ferro e areia. Para verificar se a lama é ou não tóxica, o Ministério Público de Minas Gerais coletou amostras.

Análises preliminares realizadas pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) do Baixo Gandu (ES) demonstraram a presença de diversos metais pesados como arsênio, mercúrio e chumbo – elementos altamente tóxicos ao ambiente e à saúde humana, que podem se acumular no tecido dos seres vivos e na própria cadeia alimentar.

Ainda são aguardadas as análises oficiais da lama.

Porque a tragédia foi tão grande?

Quando a barragem se rompeu, as pessoas próximas foram pegas de surpresa, gerando muita destruição por onde a lama passou. Como não houve nenhum tipo de alerta sonoro – o que é obrigatório desde 2007, por lei, para casos como esses-, nem todas as pessoas puderam sair da sua casa a tempo.

Além disso, a quantidade de lama estimada é de quase 62 milhões de metros cúbicos, o suficiente para encher um pouco mais do que 20 mil piscinas olímpicas. Todo esse barro está no leito do Rio Doce, destruindo a fauna e a flora do local, além de promover o desabastecimento de milhares de pessoas. A estimativa é que cerca de meio milhão de pessoas tenham sido afetadas, em, no mínimo, 23 cidades de Minas Gerais e Espírito Santo.

Mas não é a apenas todo o Rio Doce que está sofrendo. Muitos mananciais oriundos do Rio são usados por pequenos sitiantes e agricultores familiares. Essas comunidades serão profundamente afetadas porque não poderão mais usufruir do rio para irrigar suas plantações ou para o consumo do gado.

Como o Rio Doce desagua no mar é para lá que estão indo todos os detritos e restos da lama. Na foz do Rio Doce ainda ocorre um encontro de correntes marinhas do Sul e do Norte, o que forma um ‘rodamoinho’ de cerca de 70 quilômetros, rico em nutrientes e espécies marinhas de todo o mundo e é considerado um dos maiores pontos de desova dos peixes marinhos e das tartarugas gigantes do planeta. A chegada desses rejeitos da mineração significa, portanto, um risco para todo o ecossistema do oceano.

Há riscos de outras barragens se romperem?

Sim, a Samarco admitiu que as barragens de Santarém e Germano, próximas a do Fundão, também sofrem riscos de rompimento, portanto, a catástrofe poderá ser ainda maior.

As barragens estavam regulares?

A licença da barragem do Fundão é válida até 2019, mas a de Santarém e Germano estão vencidas desde julho e maio de 2013.

Quais as punições à mineradora?

Até o momento, o IBAMA aplicou uma multa a Samarco de R$ 250 milhões de reais, sendo cinco autos de infração no valor de R$50 milhões cada. A empresa foi autuada por: poluir rios, tornar áreas urbanas impróprias para a ocupação humana, causar interrupção no abastecimento de água, lançar resíduos em desacordo com as exigências legais e provocar a morte de animais e a perda da biodiversidade no leito do Rio Doce, colocando em risco à saúde humana. Mas, a presidente Dilma Rousseff já se pronunciou dizendo que a multa poderá ser ainda maior.

Além desse valor, a Samarco firmou um acordo com o Ministério Público    para destinar, ao menos, R$1 bilhão para o pagamento das medidas emergenciais. A Justiça também bloqueou os bens da empresa em R$ 300 milhões para o ressarcimento dos danos. A Samarco ainda poderá ser condenada a pagar uma indenização coletiva, nesse caso o dinheiro irá para um fundo destinado a ações de melhoria da qualidade ambiental. Os moradores afetados também poderão pedir uma indenização por danos pessoais, podendo até haver pagamento de pensões às famílias. Mas, tudo isso, ainda depende de decisão judicial.

Há chances de recuperação do meio ambiente?

Ainda não há nenhuma certeza sobre o futuro da região afetada. Estima-se, porém, que o volume do rio será o primeiro a se normalizar em uma ou duas décadas. Porém, para que isso ocorra é preciso que a lama se dilua e escorra para outras áreas, e isso só irá acontecer com a ação das chuvas. Por isso, é preciso levar em consideração que a estiagem recorde vivenciada no sudeste é um agravante para a recuperação do rio.

Os estudiosos acreditam que para as espécies que dependem do rio para viver, a tragédia poderá ser irreversível, já que muitas deixarão de existir – pelo menos até que as águas do rio se normalizem, já que com o passar do tempo é possível que alguns desses organismos recolonizem o espaço e as cadeias alimentares novamente se reestabeleçam. Mas, para que isso tudo aconteça, deverão se passar pelo menos uns 30 anos.

Os danos no oceano, porém, são os que mais preocupam os biólogos, porque a área afetada é uma de maior biodiversidade no mundo, por isso, o impacto poderá representar um atraso de séculos a todo o ecossistema.